quinta-feira, janeiro 07, 2010

Não há sal, mas há esperança

Não há sal. A prateleira do sal do meu Delhaize estava vazia apenas tinha umas embalagens de 150 gramas flor de sal do Algarve ao preço de 2,5 euros. Vão roubar outro, que para esse peditório já dei.

O sal cá de casa foi todo para a calçada à frente da porta antes do Natal para evitar que alguém se esticasse ao comprido no gelo e depois viesse bater à porta a pedir batatinhas.

Rumei a outro Delhaize em busca de sal e só encontrei outra prateleira com flor de sal do Algarve. Eis senão quando um ser absolutamente simpático me perguntou se podia ajudar-me. Disse-lhe ao que ia e ele desdobrou-se em esforços para encontrar uma caixa de embalagens de sal nos carrinhos que naquele dia reabasteciam o super-mercado. Não encontrou nada, aquele ser absolutamente simpático, mas deu-me esperança. É possível encontrar, em Bruxelas, trabalhadores por conta de outrém dispostos a servir clientes.

Agradeci-lhe na mesma e disse-lhe que voltaria mais tarde para procurar o sal. É que preciso dele para cozinhar e, além disso, acho piada a seres absolutaente simpáticos bonitos demais para trabalhar em super-mercados.

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segunda-feira, novembro 30, 2009

É a semaine de la frite!



Mas não vou tentar ganhar batatas fritas à borla durante um ano, credo!

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sexta-feira, novembro 20, 2009

A propósito do Conselho Europeu


Ultimamente, têm dado muito jeito as reuniõezinhas. Dia de Conselho é dia de não encerramento de uma faixa do túnel Belliard por causa das obras (que começaram o ano passado e que vão durar até 2011 - grrrr), o que significa ganhar pelo menos cinco minutos no caminho para a escola.

Continuem a reunir muito, senhores primeiro-ministros e chefes de Estado, vá!

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Pobres Belgas


Lá vão ter de cavar fundo outra vez para encontrar um novo primeiro-ministro...

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quinta-feira, outubro 01, 2009

Oh não!





Raisospartam!



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Brevemente, num cinema perto de si. Ou na rua, mesmo.

Era uma vez uma greve selvagem de alguns motoristas de autocarro, em solidariedade com um colega que foi despedido por, numa tarde de sexta-feira, durante o serviço e com passageiros a bordo, ter participado numa perseguição policial - da qual foi objecto! - em pleno centro da cidade, porque tinha tido uma má semana.



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quinta-feira, julho 02, 2009

Ai, que calor!


Os últimos dias em Bruxelas têm sido tórridos. Para não suar em bica, é preciso muito auto-domínio, roupas frescas, cabelos apanhados em rabo-de-cavalo, nada de correrias e preferência por procurar os bons saldos em lojas com ar condicionado, que é coisa que não abunda por aqui.

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domingo, junho 28, 2009

Visão empresarial


Neste país, não há vassouras de jeito. Só encontro daquelas tipo escova, que à terceira varridela já nos fazem sentir cãibras em todos os músculos da parte superior do corpo. Ou então daquelas de bruxa, prontas a montar e a levantar voo ao som de estridentes gargalhadas de malvadez.

Estou a pensar seriamente em abrir uma empresa de importação de vassouras portuguesas para a Bélgica.

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sexta-feira, junho 19, 2009

Le vendredi est presque fini

E ainda bem, pois esta é uma sexta-feira para esquecer.

Um bando de camponeses em tractores bloqueou Bruxelas durante todo o dia. Eram agricultores que protestavam contra as quotas leiteiras, por ocasião da reunião do Conselho Europeu de ontem e hoje.

Graças a eles, saí de carro por três horas para ir a lado nenhum. Logo pela manhã, fui refém no túnel de acesso a uma das auto-estradas e, quando de lá finalmente me escapei, vi-me aflita para encontrar um caminho que me fizesse chegar a casa antes de segunda-feira.

Espero que se lhes azede o leite das vacas.

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terça-feira, junho 16, 2009

No sábado, foi o dia dos carteiros



Isto fez-me lembrar o meu carteiro.

O meu carteiro é um belga simpático que todos os dias passa na minha rua arrastando atrás de si um carrinho de duas rodas cheio de cartas e pacotes para distribuir. É alto e magro, de cocuruto careca mas com os cabelos aos caracóis compridos a partir do meio da cabeça. Com as faces vermelhuscas, fala com um forte sotaque belga e sempre exibindo um sorriso bem-disposto. Apesar de tudo, faz-me lembrar um cientista louco.

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terça-feira, maio 26, 2009

O photoshop, a melga e a trovoada


Os acima indicados são os principais responsáveis por uma curtíssima noite de sono.

O primeiro é o novo brinquedo que arranjei, mas com o qual ainda não fiz nada de jeito. A segunda, foi o estúpido bicho que entrou cá em casa porque ontem estava um calor insuportável e ter janelas abertas até tarde (ainda) sem redes é o que dá. A terceira, foi um temporal espantoso que se abateu durante a madrugada sobre a Bélgica.

Ainda mal refeita da fuga à melga, comecei a ouvir um estrondo contínuo a aproximar-se. Assim como se alguém estivesse a sacudir telhados de folha de metal. Aos poucos, o barulho intensificou-se e a chuva começou a cair. Quando a trovoada estava por cima de Bruxelas, o vento, a chuva, os trovões e os contínuos clarões de relâmpagos eram um espectáculo bastante impressionante. Um autêntico cenário apocalíptico.

É verdade que por aqui, invariavelmente, o calor resulta em grande trovoada, mas a que ocorreu ontem foi excepcional. Segundo os especialistas, tratou-se de uma trovoada super-celular, uma forma de tempestade violenta, na qual se registaram cerca de 30 000 descargas eléctricas e entre 10 000 a 15 000 trovões.

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quarta-feira, maio 13, 2009

Turismo da engorda

Cerveja

Biscoitos e guloseimas

Chocolates

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quarta-feira, abril 22, 2009

Até que idade pensas divertir-te?


Hoje, no Ikea, enquanto um monte de gente se empanturrava em almôndegas com batatas fritas e eu suspirava entre a minha salada e a minha sopa de cenoura, um indivíduo do sexo masculino já com idade para ter vergonha fazia sucessivos abastecimentos do seu cone na máquina dos gelados.

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quinta-feira, abril 16, 2009

33 minutos de stress


Eu, numa repartição pública belga, com um ticket na mão e um monitor pendurado na parede que me dizem duas coisas: que tenho o número A170 e que há pelo menos vinte pessoas à espera de serem atendidas antes de mim.

Olho para o relógio. São 11:12. Os guichets estão abertos até ao meio-dia, pelo que só tenho que fazer figas e esperar que as vinte e tal pessoas sejam despachadas em 48 minutos. Caso assim não seja, terei de voltar no dia seguinte e, mais uma vez, atravessar uma das ruas do red light district bruxelense, recheada de meninas (e mulheres de meia-idade e senhoras com ar de avó) nas montras porta-sim, porta-não.

Às 11:30, cai-me o coração aos pés. Faltam dez números para o A170 e o monitor passa a informação de que a última pessoa será atendida às 11:45. Estes belgas sabem gerir a coisa para poderem deglutir as suas baguettes a horas. Resta-me o consolo de saber que quem tem ticket pode voltar às 13:45 e entrar pela porta amarela. E começo logo a procurar o raio da porta à minha volta.

Fixo os minutos que passam no relógio, como que os conseguisse retardar, mas a minha moral está em baixo. Muito em baixo.

Às 11:44 chamam o número A169. Estou à beira de uma apoplexia.

Chegam as 11:45 e rendo-me à evidência: lá vou ter que passar as próximas duas horas na Rue Neuve, de loja em loja. Ainda me arrisco a torrar uns euros desnecessariamente.

Mas, milagre!, milagre!, ainda nas 11:45, chamam o meu número. Arrebanho os meus pertences e corro até ao guichet 8, aliviada e vitoriosa. Não resisto a pronunciar um alegre bonjour! à rapariga do outro lado do vidro.

A jovem saúda-me mas, num relance para o seu relógio, vê as horas e comenta: Oh, não reparei que já eram 11:45!

Desolée, respondi-lhe com o sorriso mais belga que fui capaz de fazer. E lá fui atendida.

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quarta-feira, março 18, 2009

Quando faço perguntas estúpidas


Quase seis horas da tarde de um dia como os outros.

Não, não foi bem assim.

Quase seis horas da tarde de um dia de céu azul e sol morninho, para compensar a temperatura que não subiu além dos 14 graus mas que, mesmo assim, me fez usar roupa mais primaveril.

Seis horas da tarde, quer dizer que já é hora-de-ponta. As pessoas começam a dirigir-se a casa e há carros em fila por todos os lados.

Eu também me dirijo a casa. Venho a conduzir e em amena cavaqueira com o metro e vinte que se senta no banco de trás. Faço pisca, viro à direita e na rua de dois sentidos estreita e íngreme onde me encontro há fila no sentido contrário porque o semáforo está vermelho. No meu sentido, porém, a meio da rua, está um carro parado. Estacionado em plena rua. Acho que não consigo passar entre ele e os outros e aguardo, pois vejo uma mulher a aproximar-se.

Mais duas frases trocadas com o metro e vinte de gente e vejo que a mulher não se apressa a tirar o carro do meio da rua. Em vez disso, vislumbro-lhe um balde numa mão e um pano na outra. Não posso acreditar: a mulher está a lavar o carro!

Primeiro rio-me e depois enervo-me. Às vezes custa-me a acreditar no que vejo.

Em segundos, faço uns cálculos rápidos. Carrego no botão para recolher os espelhos retrovisores e avanço entre a fila do lado esquerdo e a lavagem de carros do lado direito. Abro o vidro da janela e pergunto à mulher:

- Acha que é uma boa altura para estar a lavar o carro?

E ela responde-me com aquele ar que só um belga consegue fazer*: - É que daqui a pouco escurece!



* Quem já por cá morou, percebe do que estou a falar. Os outros, que me desculpem, terão de esperar o dia em que ensaiarei a explicação deste ar a que me refiro.

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segunda-feira, março 02, 2009

Série cromos repetidos


Madame Pipi

Triste sina essa de passar os dias enfiada numa casa de banho de maus odores permanentes ou passageiros, de ver entrar e sair gente de toda a espécie, de fingir que limpa as sanitas após cada utilização, de controlar as entradas e saídas, não vá alguém esquecer-se de pagar a utilização, e de controlar o número de toalhetes que cada utilizador usa para secar as mãos – no caso de as lavar.
É esta a descrição do trabalho levado a cabo pela chamada Madame Pipi (*), designação que se dá às senhoras que por aqui trabalham nas casas de banho acessíveis ao público.
Não estou, contudo, a referir-me a casas de banho públicas, não! Refiro-me às casas de banho a que o normal português se habituou a frequentar de borla nos centros comerciais, nos cinemas, nos hipermercados, nos McDonald's, nos restaurantes e até, imagine-se, nas discotecas! Àquelas cuja utilização gratuita e expectativa de encontrar limpa são consideradas como direitos adquiridos de um utilizador que se encontra num estabelecimento comercial na qualidade de (potencial) consumidor.
Por aqui, a história é outra. Estejamos a fazer compras em lojas, a meio de um filme após ingerir meio-litro de Coca-Cola, a prepararmo-nos para gastar 250 euros no hipermercado, entre dois Big Macs, à espera que nos sirvam um jantar(**) ou a caminho de uma fenomenal bebedeira num estabelecimento nocturno, se a bexiga apertar e nos dirigirmos à casa de banho, lá está ela à nossa espera, a implacável Madame Pipi, que não hesitará em dizer-nos “Désolée!”, caso não tenhamos no bolso as necessárias moedas.
Tenho de confessar que já me resignei ao facto de ter de desembolsar 30 cêntimos de cada vez que sou obrigada a utilizar uma casa de banho infecta. Nem sempre fui assim. Ainda há poucos anos atrás, era capaz de me aguentar um dia inteiro, se fosse preciso. Tudo menos passar moedinhas à Madame Pipi! Cheguei até a fugir a uma no cinema, escapulindo-me a toda a velocidade enquanto ela berrava: “Madame! Madame!” (eh, eh, eh!). Achava aquela cobrança tão ilegal que nem sequer senti que estava a portar-me mal. Mas agora já estou integrada nas regras da sociedade belga(***).
Acho, até, que já encontrei a solução para o meu complemento de reforma. Quando for velhinha, vou arranjar um posto de Madame Pipi. De preferência numa discoteca, onde se cobra mais caro e onde rende com certeza mais. Nessa altura já terei insónias e não vão fazer-me falta umas horitas de sono. E poderei então finalmente jogar na PSP horas a fio, enquanto as moedas tilintarão no meu pratinho da Vista Alegre!

(*) Pipi traduz-se para português por chichi.
(**) Actualmente, a maioria dos restaurantes já não tem Madame Pipi.
(***) Façam o favor de não fazer uma interpretação extensiva da afirmação.
Post publicado neste blogue em Março de 2006.

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terça-feira, julho 25, 2006

Bruxelles les Bains


O lema devia ser "Não vás mais longe!". A organização do evento diz mesmo que isto é melhor do que ir de férias. Eu diria que cada um sabe de si...
Bruxelas inaugurou há uns anos a sua praia urbana, à semelhança do que fez Paris.
Aqueles que não têm possibilidade - ou vontade - de ir para a praia mais perto, no Mar do Norte, podem abancar nas areias urbanas da praia de Bruxelas e ficar a tostar como os frangos no churrasco.
Água para refrescar, só mesmo a de garrafa!
(Aberto até 13/08/2006 das 11h às 22h - excepto à segunda-feira)

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