terça-feira, fevereiro 28, 2006

Angels & Demons


Saiu comigo de casa de manhã cedo.
Foi ao meu lado no carro, mas nem olhei para ele enquanto conduzia, não fosse a distracção custar-me caro.
Acompanhou-me na delonga de uma sala de espera para renovar um cartão. Fitámo-nos sem trocar uma palavra.
Levei-o comigo para o escritório, sabendo antecipadamente que não teria tempo para me ocupar dele, tirando a pausa para o almoço, e que o deixaria numa espera enfadada até ao fim do dia de trabalho enquanto lia e-mails, preparava documentos e atendia telefonemas.
Regressou comigo a casa e não mais o larguei de vista.
Depois do jantar, sentei-me com ele no sofá e ali ficámos os dois, novamente em silêncio. Mas num silêncio aprazível. Não me lembro da última vez em que não se ouviu na minha sala o som da televisão ligada. Nem sei se alguma vez isso aconteceu…
Com as doze badaladas, subimos juntos para o quarto e deitei-me com ele. Passados alguns minutos, extenuada de tanta emoção, acabei de ler a sua última página, pousei-o na mesa-de-cabeceira e apaguei a luz.

Comemoremos!


Há um ano atrás, ela dizia que naquele dia Bruxelas estava mais solarenga. Mas hoje, para comemorar o primeiro aniversário do No Cinzento de Bruxelas, a cidade pôs-se cinzentinha a condizer com o blog e estão a cair gordos flocos de neve.

Parabéns, minha querida Pitucha, por um ano inteiro de intempéries, flocos de neve e raios de sol! Uma beijola especial.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Viródisco IX


Numa viagem ao início dos anos 80, encontro um tema de uma das bandas dos primórdios do pop electrónico: os Orchestral Manoeuvres in the Dark, ou simplesmente OMD.

Génese

Lote 5. A porta é daquelas meio antigas-meio foleiras com a fechadura à altura dos nossos joelhos. É preciso baixarmo-nos para a abrir. Acho que é preta e dourada. Ou verde e dourada. Tem um vidro grande, dá para ver lá para dentro.
O patamar é em mármore bege. Ao fundo e ao meio estão todas as caixas do correio. E do lado esquerdo começa a escadaria. O corrimão é preto e vermelho. Não é nada bonito.
Um vão, dois vãos, três vãos. Primeiro andar. A porta é a do lado direito. É de madeira castanha escura. Foi por trás desta porta que tudo começou. É a porta do 1° Direito.
Desenganem-se! Este título é só a minha morada neste sítio virtual. Mas a verdade é que foi num Lote 5 – 1° Dto. que nasci. Duas vezes. Uma para a esfera e outra para a blogosfera.
Esta ilustração espectacular, bem como a das portas (vizinhos do lote) e a da estante com os livros (arrumados na prateleira), que é a minha favorita, são todas do autor e ilustrador Colin Thompson.

sábado, fevereiro 25, 2006

À descoberta da blogosfera #1


Place de Saint Boniface, dia frio e solarengo.
Numa esplanada, eu e o simpático jornalista de um semanário português. Duas dames-blanches em cima da mesa.
- O que é que a leva, numa lista de 1500 blogs, a clicar em dois ou três?
- Um nome original, sem dúvida.
- E quantas vezes a originalidade do blog se esgota logo no título?
- Eu diria que isso acontece em 90% dos casos.
- Teve muita dificuldade em encontrar um nome para o seu blog?
- Sim. Levei mais de duas semanas a pensar sobre o assunto.
- E hoje ainda está satisfeita com a escolha que fez?
- Completamente! Os nomes alternativos não eram lá grande coisa.
- Ainda se recorda desses nomes?
- ... Sim, lembro-me de um. Qu'houve de Bruxelas?.
(risos)

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Furtos branqueados


Tendo visto isto, lembrei-me de outro sítio onde também já fui roubada.
Trata-se do aeroporto de Bruxelas, onde paguei 5 euros por duas bicas!
Com a agravante de terem sido servidas em copos de papel e o café saber a água de lavar chávenas.
Escusado será dizer que não voltaram a repetir a gracinha comigo...
(Legenda do cartoon: "Sorry! Don't want to get involved.")

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Migalhas de Chocolate #2



Na semana passada, no dia dos namorados, o Migas trouxe-me da escola um lindo coração de papel, que tinha pintado de vermelho-paixão. Acho que a primeira namorada dos miúdos é sempre a sua mãe. Não porque eles assim o decidam, mas porque nós estamos cá para decidir por eles e pronto. Foi nesse dia que o Migas terá ouvido pela primeira vez a palavra "namorada".

Ora, passada uma semana, numa bela manhã, antes de descer para tomar o pequeno-almoço, olhei para o chão do meu quarto povoado de brinquedos e disse ao meu Migas: - Vá, vamos arrumar isto tudo antes de ir para baixo!

Comecei a disparar brinquedos na direcção de dois caixotes de plástico, mas o Migas nem mexeu um dedo para me ajudar. Limitou-se a fazer o papel de espectador atento.

- Então? - resmunguei. - Ajudas-me ou quê?!... Olha que eu não sou tua criada!

Foi então que ele pestanejou, olhou para mim com um ar franco e semi-ofendido e me lançou o lamento: - Mas eu dei-te o coração...

Demorei dois segundos a perceber o efeito que tem o facto de as palavras "namorada" e "criada" terem a mesma terminação.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O telefone a tocar

Se há coisa que me irrita até à medula, é esta!

Não percebem que não me apetece falar com ninguém?...

Irra!

"Leis a mais"


Gostei muito de ler o artigo do José Manuel Fernandes do Público de hoje. Deixo aqui o link, que infelizmente só funciona para quem tenha assinatura.
O JMF começa por falar da recente condenação a três anos de prisão, na Áustria, de um homem que há dezassete anos proferiu declarações em que negava o holocausto, para opinar no sentido de que é contra a criminalização deste acto.
E é interessante quando refere que a lei portuguesa - o Código Penal - para além de também criminalizar aquele tipo de acto (injúria de grupo de pessoas, "nomeadamente através da negação de crimes de guerra ou contra a paz e a humanidade"), também criminaliza o acto de "publicamente vilipendiar acto de culto de religião ou dele escarnecer". Isto para concluir que todos os jornais que publicaram os já famosos cartoons dinamarqueses são passíveis de procedimento criminal. Eu acrescentaria que o mesmo se aplica aos blogs!
O que nos vale, como diz o JMF no dito artigo, é que "felizmente que os nossos procuradores e juízes têm andado distraídos ou ocupados com outros assuntos, deixando que essas matérias sejam apenas discutidas publicamente, onde as opiniões se dividem e confrontam, o que é saudável.".
Contudo, isto é tão tipicamente português que até dói. No caso em apreço, trata-se de um "crime menor" e ninguém está verdadeiramente interessado em ver punido quem o praticou. Seria uma pura perda de tempo, digo eu, estar a aplicar a lei.
Mas se se tratasse de uma qualquer outra coisa grave, nada mudaria. Em Portugal é assim. Identifica-se um problema e faz-se uma lei. Depois de a lei entrar em vigor, assunto encerrado. Ninguém se preocupa com a aplicação da lei. Se houver um problema, faz-se outra lei. Que não se pense é em aplicar a que existe.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Cartoons sobre cartoons

Este é apenas um.

Podem encontrar muitos mais aqui, de onde este foi surripiado.

domingo, fevereiro 19, 2006

Aaaah... Liberdade!

De vez em quando sinto-me um nadinha presa. Como se estivesse numa gaiola. Numa gaiola de barras espaçadas que me deixam tocar nos que estão nas gaiolas ao lado, mas que contudo não são suficientemente espaçadas para que eu possa sair e esvoaçar por aí.
É evidente que saindo da gaiola também não posso ir muito longe. Não posso porque a janela está fechada. Se bem que se o está fui eu que a fechei. E se assim continua é porque eu não a quero abrir.
Na passada sexta-feira, decidi que saía da gaiola. Voei por aí, mas fui de encontro ao vidro da janela. Várias vezes. Não porque quisesse ultrapassá-la, mas porque às vezes sou distraída e esqueço-me de que a janela está fechada. Mas foi o suficiente para sentir que tenho alguma liberdade. Várias vezes voltei a entrar na gaiola, mas saí logo de seguida. Até voltar a entrar uma última vez e ficar lá dentro.
É onde estou agora. Na gaiola. Até ter vontade de voltar a esvoaçar, por mais alguns dias. Ou até ao dia em que decida sair da gaiola de vez, nunca se sabe...
Bem, mas deixemo-nos de metáforas! A gaiola é a blogosfera. Não escrevi nenhum post de sexta a domingo. Mas visitei os blogs do costume. Fui nadar no sábado à tarde. Mas porque fiz gazeta ao super-mercado, tenho de lá ir durante a semana. Hoje, fiz cookies com o Migas. Mas depois tive de dar uma geral na cozinha. Comemos alguns cookies num piquenique improvisado no chão da sala (estavam deliciosos!). Mas deu-me uma trabalheira aspirar as migalhas. Li vários capítulos de um livro que ando a tentar acabar há meses. Mas tive de ouvir o Canal Panda como música de fundo. Fiz um passeio à chuva para ir jantar fora. Mas corro o risco de ficar constipada. Decidi que já era tempo de voltar a escrever um post. Mas já sei que não me tiram a password do blog se não a inserir durante alguns dias.

Viródisco VIII



E foi com este excelente tema que pus agora a tocar que terminou o último episódio da segunda série do The West Wing...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

A minha sanita

Nos meus passeios pela blogosfera, já tive oportunidade de ver muita coisa, mas até agora nada como A minha sanita.

Se estiverem interessados em contribuir, podem mandar as vossas fotografias por e-mail.

Haja imaginação e nada estará perdido...

O Lote 5 - 1°Dto. Plagiadíssimo



E não é que ele me levou mesmo os mapas lá para casa dele?

Ladies and Gentlemen...


I give you...
O discurso do presidente da Comissão Europeia, de ontem, para aqueles inúteis que têm assento no hemiciclo europeu, que falam-falam, falam-falam, falam-falam, e que maioritariamente não fazem mas é nada!
Quanto ao discurso do José Manuel, doze estrelas!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

O mundo ao contrário?

Em finais do ano passado comprei uma caixa com os DVDs das seis séries de The West Wing ("Os Homens do Presidente", em Portugal).
Confesso que me assustei quando a dita caixa chegou cá a casa. Pensei que íamos levar anos a fio até ver aquilo tudo.
Contudo, passados uns meses, já admito que estará tudo visionado até ao final do corrente ano. É que a série é de tal forma excelente, que se tornou num verdadeiro vício. Quase não há dia em que não arranjemos maneira de ver dois episódios seguidos.
Foi a ver um dos episódios da segunda série que tomei conhecimento da existência da projecção de Peters (eu nestas coisas ando sempre com várias “guerras” de atraso). Neste episódio, uma organização (fictícia) denominada Organização dos Cartógrafos para a Igualdade Social, numa audiência com dois membros do gabinete do presidente Bartlett, procurava obter o apoio necessário para que se criasse legislação no sentido de o mapa-mundo projectado por Peters ser usado nas escolas norte-americanas.
A abordagem do assunto foi de tal forma interessante que me levou a "investigar" a história dos mapas-mundo. Mas pela rama, que a minha vida não é isto.

O mapa-mundo que melhor conhecemos é o que foi projectado pelo flamengo Gerhardus Mercator em 1569. Mas este mapa, feito para orientar navegadores, distorce a área terrestre pois, na realidade, o continente africano é maior, a Europa é mais pequena do que a América do Sul e o Alasca não é maior do que o México. Além disso, este mapa dá mais ênfase ao hemisfério Norte.
MERCATOR

O mapa de Peters foi elaborado em 1974 por Arno Peters e corrigiu muitos dos erros projectados pelo mapa de Mercator. Mostra os países e os continentes nas suas correctas proporções e reduz o domínio visual do hemisfério norte-americano. É, por isso, considerado como um mapa mais justo para com os povos.
PETERS

Uma projecção mais recente é o mapa Hobo-Dyer. Menos distorcido do que o mapa de Peters, este mapa tem dois lados que mostram o mundo inteiro de modos diferentes. Um lado é centrado em África e tem o Norte no topo, o outro é centrado no oceano Pacífico e tem o Sul no topo.
HOBO-DYER (Lado B)

É interessante reflectir sobre o quão diferente poderia ser a história mundial se desde o início o mundo nos tivesse sido apresentado assim, de "pernas para o ar".

Prémio de literatura



O "Equador" do Miguel Sousa Tavares ganhou um dos prémios de literatura mais importantes em Itália: o Grinzane Cavour.

Pormenores desta notícia no jornal Público.

Recomendo a leitura deste livro, se é que ainda há por aí alguém que não o tenha lido.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Amor, a quanto obrigas!

Debitem lá todas as vossas paixões, reflexões, frustrações e ódios valentinianos!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Camuflar o consumo


"No Reino Unido, os compradores chegam a gastar 46 milhões de libras por ano (67,4 milhões de euros) em produtos de que não precisam e cuja única finalidade é a camuflagem. Destinam-se a esconder ou fazer passar despercebidos os produtos que os compradores querem mesmo, mas dos quais têm vergonha no momento de os ver desfilar no tapete da caixa do supermercado, como os preservativos ou tratamentos para hemorróidas."(Jornal Público, 13/02/2006)
Eu sei o que é ter vergonha de expor no tapete das caixas registadoras alguns produtos que compro em quantidades industriais. Mas como é que consigo disfarçar a carne de porco para assar, os deliciosos bifes irlandeses, o frango, toda a diversidade de salsichas frescas, as costeletas de carneiro, o magret de pato, a carne picada para a bolonhesa e as coxas de peru? Só se os cobrir com resmas de caixas de preservativos...

domingo, fevereiro 12, 2006

Viródisco VII


Uma das grandes vozes femininas dos últimos tempos. Para ouvir até ao fim.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Transporte virtual

Não estive lá, mas esta descrição teve como efeito transportar-me no tempo até à passada quarta-feira à noite e no espaço cerca de 2000 kms. Até me fez suster a respiração. Tenho a certeza de que deve ter sido espectacular!...

É o Pólo Norte, o Pólo Sul e a Poligamia

Mas que avançadinhos que eles são! Sempre na vanguarda das relações humanas, seja para o nascimento, seja para o casamento, seja para a morte...
Para nascer, fomentam os partos caseiros. Se, contrariando o incentivo, as mulheres decidem ir ter os filhos ao hospital, são de lá corridas, na melhor das hipóteses, três horas após o parto.
Para cometer suicídio, há sempre uma mãozinha fria para dar uma ajuda - basta pedir.
Para casar, bem, para casar é à escolha. Seja o A com a B, seja a B com a C ou o D com o A.
Mas isto já toda a gente sabe! A novidade agora é outra.
Agora, o A pode oficializar a sua relação com a B e com a C. Por outro lado, querendo, a B pode juntar os trapinhos com o A e com o D, pois o Estado reconhece-lhes esse direito e tem uma nomenclatura legal para o contrato. Não se trata de um casamento, nada disso, que exagero! Trata-se de uma simples união de facto. Mas daqui a nada, tenho a certeza, casamento será!
Eu por acaso já tinha pensado no assunto. É que se a instituição casamento em alguns países já não é o que era, então porquê não dar largas à imaginação e alargar o âmbito das permissões? O que é que impede que se casem dois homens e uma mulher, duas mulheres e dois homens, três homens e quatro mulheres, sete mulheres e dez homens, o onze do Ajax com o onze do PSV Eindhoven, todas as hospedeiras da KLM com o ex-marido da Alexandra Lencastre... e por aí adiante, pois se a imaginação não tem limites, porquê parar por aqui?
Inspirada aqui.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Ponham "funtastic" nisso!


Por Ricardo Araújo Pereira, na revista Visão
Quase não vejo televisão. O facto de fazer televisão não me obriga, graças a Deus, a vê-la – caso contrário, creio que já teria deixado esta vida. Mas sempre há coisas que vou gostando de ver. Os jogos do Benfica, por exemplo. É por isso que tenho TV Cabo (passe a publicidade) e Sport TV. Contudo, no princípio da semana passada, a TV Cabo (passe a publicidade) cortou-me a Sport TV. Não por falta de pagamento, mas porque era necessário trocar o aparelho que me permitia ver o canal por outro mais moderno, para que eu pudesse ver o canal mais modernamente. E, além disso, ter acesso a um pacote de canais chamado Funtastic Life. Posso dizer-vos que, curiosamente, a minha vida começou a ficar mais fantástica e divertida nesse mesmo dia.
Primeiro, é o cliente que tem de ir buscar o aparelho às instalações da TV Cabo (passe a publicidade). No meu caso, bastou esperar duas horas fantásticas para me darem a nova caixa fantástica. Depois, já em casa, montei a caixa mas, logo no primeiro passo da instalação, houve uma falha técnica (suponho que também fantástica, embora isso não fosse referido). O aparelho não era capaz de reconhecer a zona em que eu moro (o que só lhe fica bem, porque a vizinhança não é, de facto, particularmente interessante) e mandava-me ligar para um número. Liguei e, depois de uma espera de dez minutos, disseram-me que o número não era aquele, mas outro. Máquina e homem discordavam relativamente ao número correcto. Por puro chauvinismo, liguei para o número indicado pelo homem e pediram-me para aguardar. Aguarda-se muito, quando se está ao telefone com os funcionários da TV Cabo (passe a publicidade). Os funcionários são simpáticos, e eu até aguardo com prazer, mas sinto que se aguarda um pouco em demasia. Ao longo dos últimos dias, terei ligado umas dez ou quinze vezes, conheci funcionários de vários géneros e nacionalidades – mas o que fiz mais foi aguardar. O funcionárioque me atendeu – o primeiro de uma longa linhagem – começou por me pedir que fornecesse o número de cliente. Forneci. Que fornecesse os meus dados pessoais. Forneci também. Que fornecesse o número de identificação fiscal. Tornei a fornecer. Escuso de dizer que, entre cada fornecimento, há períodos em que é necessário aguardar. Vai-se fornecendo e aguardando, aguardando e fornecendo, até que a acumulação de dados fornecidos torna possível que se deixe de aguardar, porque o funcionário consegue, finalmente, encontrar o nosso contrato. Às vezes, o contrato só se deixa encontrar depois de terem sido fornecidas várias dezenas de dados. Em certa ocasião, quando o funcionário deu com a minha ficha, já eu me preparava para encher um frasquinho com urina, que iria em seguida fornecer à sede da TV Cabo (passe a publicidade).
Depois de encontrado o contrato, o funcionário chega normalmente à conclusão de que estamos em presença de uma falha técnica, por causa da qual se torna inevitável – adivinharam – aguardar. Normalmente, pedem que se aguarde quatro horas, findas as quais é suposto que o problema esteja resolvido. Até agora, esta última parte ainda não aconteceu. Já aguardei até ao final de város blocos de quatro horas e, ontem, cheguei a aguardar por um técnico, que também acabou por não aparecer. Normalmente, o problema são, ao que me dizem, “falhas”. Mas estaria a exagerar se dissesse que todos os serviços da TV Cabo (passe a publicidade) falham. O departamento que debita a mensalidade na minha conta, ao fim destes anos todos, nunca falhou.
Portanto (e embora eu esteja,neste preciso momento, a aguardar), uma semana depois de me terem cortado o serviço pelo qual eu continuo a pagar, ainda não tenho o canal que transmitiu o Benfica-Sporting. E ninguém me tira da cabeça que foi por causa disso que perdemos. Aliás, eu só sei que perdemos porque fui ver o jogo ao estádio. E os meus amigos que têm TV Cabo (passe a publicidade) também viram o jogo em condições e confirmam: perdemos mesmo.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Corte & Costura, a bem dizer...


Foi encontrado o responsável pelo desastre da noite das presidenciais. E eu que pensava que aquela toilette tinha sido repescada do fundo do roupeiro da futura primeira-dama... Mas que ingénua que eu fui!
Na altura, houve quem dissesse que eu estaria horrorizada (nesta parte ele estava certo), mas que estava a exagerar, que não havia necessidade de fazer da coisa uma tragédia nacional e que havia esperança. Confesso que estive vai-não-vai para dar a mão à palmatória, quanto à esperança, mas agora confirmaram-se as minhas piores expectativas.
Isto tudo porque descobri que, afinal, o criador da dita indumentária foi um desconhecido estilista do Fundão, que responde pelo nome de Carlos Gil e cujo maior sonho era (é?) ter uma carreira na área da moda.
Acerca da sua criação exibida no passado dia 22 de Janeiro, diz este antigo professor de Desenho que “era importante preparar algo diferente e único para a hora em que ela (Maria Cavaco Silva) teria de cumprimentar o povo”, que “o fato era castanho e turquesa porque turquesa é uma das suas (da Maria Cavaco Silva) cores preferidas, além de que faz lembrar o mar que nos rodeia” e que o blazer era de “seda pied-de-coq com xenil bege e castanho”. Ficou muito satisfeito com o resultado do seu trabalho e acha que quem o vestiu ficou glamorosa...
Acresce ainda o facto de que será este talentoso criador quem já está a preparar o saco de batatas, - perdão, a fatiota - com que a primeira-dama nos irá surpreender no próximo dia 9 de Março, o que significa que eles já devem estar de contrato assinado e tudo...
Confesso que esta descoberta me deixou de rastos e que eu é que já estou com pieds-de-coq. Vou morrer de ansiedade até ao dia da tomada de posse do presidente da República. Alguém me traz um copo de água e um leque bordado a xenil antes que me dê o chilique?

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Inquietações

Os belgas estão preocupados com o preço das batatas fritas que, em dez anos, aumentou 32,43%.
Para os menos atentos, esclareço que estas batatas de que falo não são daquelas batatas fritas tipo Matutano ou das velhas Doro (São as Doro, que eu adoro!...) ou das saudosas Pala-Pala (Batatas fritas, Pala-Pala, são uma tara de sabor!...), não. São batatas em largos palitos, fritas em óleo e vendidas em cones de papel que até custam a agarrar de quentes que estão, com um monte de maionese por cima. São uma facada profunda em qualquer dieta que se preze e deixam sequelas durante vários dias: remorsos (por se ter comido um pacote inteiro e ainda ter lambido os dedos cheios de sal e de maionese), geralmente acompanhados por um intenso odor a óleo dentro do carro onde nos abrigámos do frio para comer as ditas batatas.
Recomendo a prova deste pitéu num dos melhores quiosques de frites em Bruxelas. Fica na Place Jourdan, muito perto dos prédios das instituições europeias. A não perder e a acompanhar com uma boulette spéciale e uma Coca-Cola. Depois podem pensar em três dias seguidos de dieta, para compensar nas calorias...
Quanto ao preço das batatas fritas, não creio que haja motivo para preocupações. Eu não podia ralar-me menos com o assunto, não fosse ter achado que o podia usar para fazer um post no Lote 5. É que com a frequência que me dou ao luxo de atacar um daqueles deliciosos pacotes de batatas fritas – o que ainda por cima faço a meias com alguém – passo bem com o preço que tenho de pagar, que é cerca de 2 euros.

Revistas

Foi como se tivesse passado pelo quiosque, mas sem ter saído de casa.
Assim, de repente, fui contemplada com um pacote de literatura light que me faz recordar o Verão em Portugal, uma vez que é a única altura do ano em que devoro tudo o que é revistas e jornais lusos.
Chegaram-me lá a casa a Caras, a Sábado e a Visão. E o Correio da Manhã e o Público de domingo. E tudo folheável!!!
É verdade, veio tudo num saquinho de papel e vou ter com que me entreter durante três ou quatro serões, em alternância com a blogosfera.
Espero que não pensem que de repente fiquei lerdinha das ideias por estar a fazer uma festa por causa do monte de papel! É que só quem está longe destas pequenas coisas é que sabe a falta que lhe fazem...
M.P.: Uma vez mais obrigada, Gonçalo, por teres sido o portador de tantas notícias!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Blackout

Pelos motivos explicados aqui, tenho na minha caixa de correio e-mails com comentários deixados por alguns vizinhos que não aparecem nas caixas de comentários.
Logo que tenha um tempinho, hei-de transcrever os comentários nos sítios respectivos e dar-lhes as correspondentes respostas.

domingo, fevereiro 05, 2006

Comprar um fato de banho em Riade

Tenho um amigo que esteve no ano passado em Riade, na Arábia Saudita, por motivos profissionais.
Chegado ao hotel, verificou que havia uma bela piscina de que poderia usufruir, mas verificou também que se tinha esquecido de levar na mala os seus calções de banho...
Dirigiu-se então a uma das lojas do centro comercial do hotel e lá encontrou uns calções que lhe agradaram.
O empregado da loja, satisfeito por ver que o cliente tinha encontrado algo para comprar, acercou-se do meu amigo com um sorriso e perguntou-lhe:
- Então, gosta dos calções?... Vai levá-los?
Ao que o meu amigo respondeu: - Gosto! Mas primeiro tenho de experimentá-los!
Perante estas palavras, o empregado da loja franziu o sobrolho e mordeu o lábio com um ar aflito.
- Experimentá-los?...
- Sim. Senão como é que sei que me servem?
Foi então que este meu amigo foi surpreendido pela notícia de que não existem provadores de roupa nas lojas na Arábia Saudita. Porque não é permitido às pessoas despirem-se debaixo do mesmo tecto onde estão pessoas desconhecidas...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Migalhas de Chocolate #1

Factor 1: Vezes sem conta, quando o Migas me aborda a menos de um metro de distância num tom que quem não está a ver pode julgar que estamos separados por uma grossa parede de betão ou quando me pede repetidamente qualquer coisa, digo-lhe quase sempre: Ei, não sou surda!

Factor 2: Todos os pais têm a mania de ensinar todo o tipo de gracinhas aos filhos, para depois os exibirem – quais catatuas amestradas – aos amigos. Nós lá em casa ensinámos o Migas a rodar o dedo indicador à volta do nariz enquanto reflecte numa resposta a dar (como o Herman) e ensinámos-lhe também a usar a expressão “Da-aah“, com a mão aberta e devidamente posicionada em frente da cara, a acenar. Sempre achei que ele saberia encontrar o momento certo para usar a expressão, depois das nossas explicações.

Conjugação do factor 1 com o factor 2: Num princípio de noite qualquer, vamos os três no carro em direcção a casa de uns amigos, para jantar. Eu vou a guiar e os miúdos vão no banco de trás (como no anúncio da Prevenção Rodoviária…eh, eh, eh).
Depois de ter passado que nem uma bala pela casa onde deveria ir e de ter dado umas quantas voltas extra ao quarteirão já um bocado perdida, o Chefe - ou o estômago dele, já atrasado -começa a refilar: Mas onde é que tu vais, afinal? Mas já viste que estás numa paralela? Tens é de voltar para trás!
Pouco habituado a ouvir o Chefe falar neste tom, o Migas vira-se para ele e diz, acabando a frase com a mãozita aberta em frente da cara: Ei, Papá! A Mamá não é surda!.. Da- ahh!

Eu olho para o chefe e já estamos os dois a rir. É confortante saber que cumprimos bem a nossa função educativa…
Fica assim inaugurada a rubrica especial dedicada ao Migas que, para os recém-chegados e para os menos atentos, é o meu filho desde há pouco mais de três anos.

Os Acorrentados

Não, não tem nada a ver com aquele programa de televisão. É que a Sô Dona Pitucha resolveu enviar-me um elo de uma corrente, tendo eu que indicar cinco manias ou hábitos meus que me distingam dos restantes mortais e depois escolher cinco vítimas para dar continuidade à dita corrente. Depois ficaremos todos acorrentados.
Foi uma tarefa um pouco díficil, pois passo mais tempo a observar os outros do que a analisar-me a mim própria, mas terminei a tarefa.
O resultado é o seguinte:
Um - Refilo sempre que o telefone toca lá em casa, dizendo "Mas porquê?! Mas porquê?!";
Dois - Só consigo adormecer virada para o lado direito;
Quatro - Nunca vi o E.T. (do Spielberg);
Cinco – Despeço-me nos blogs com Beijolas.

Terão de continuar esta corrente a MCM, a Folha de Chá, a Rafaela, a Rita Rabiga e a Carla Motah. Os homens deixo-os de fora porque acho que eles não gostam muito destas coisas…

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Viródisco VI

Os Pink Floyd têm músicas tão boas, tão boas, que gostava de pô-las todas a tocar...

Mas como tinha de escolher só uma - de cada vez -, acabei por escolher esta, que está num dos meus discos favoritos de sempre, o Delicate Sound of Thunder.

Apesar de haver vozes contrárias cá por casa, eu continuo a achar que as melhores músicas dos Pink Floyd são as da fase pós-Roger Waters...

Prioridades

Só sabe quem cá anda ou quem por cá andou. Ao volante.
Nesta terra, a regra de trânsito da prioridade é para levar a sério. Não havendo sinal de trânsito em contrário, quem vem da direita tem prioridade e nem sequer olha para a esquerda a ver se por acaso vem de lá algum carro lançado que nem uma flecha. Mesmo que venha a sair da ruela mais estreitinha e a entrar na maior avenida.
Eu gosto de imitá-los, mas confesso que verifico sempre pelo canto do olho se não corro riscos, não vá ter algum azar. Faço um ar importante – tipo sou-dona-disto-tudo, ‘tás a ver? – e aí vou eu. Eles que travem, que quando eu venho da esquerda também tenho de parar.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Vassoura cerebral

Hoje alguém chegou ao Lote 5 - 1° Dto. através de uma pequisa no Google por "cérebro+faxina+limpeza"...

Deve ser alguém com muita paciência e tempo-livre, pois o Google responde a essa pesquisa com 14 600 resultados e eu nem sequer encontrei o meu blog nas 22 primeiras páginas.

Depois de aturado amadurecimento da notícia, apresento-vos, aqui ao lado, o meu estado de alma.